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terça-feira, 29 de outubro de 2019

À conversa com ex-jogador: Vítor Pereira


Hoje trazemos à antena o primeiro guarda-redes nesta série de entrevistas. Trata-se nada mais, nada menos que Vitor Pereira que vestiu a camisola Azul Amora há cerca de 25 anos. Passou na sua formação pela Amora FC e ainda pelo Sporting CP, mas o Amora tem um lugar especial no seu coração. 

Vamos saber mais um pouco.


- Fizeste a tua formação no Sporting. Como era a formação de um grande clube no final dos anos 80?
Curiosamente foi no Amora FC que comecei a jogar futebol federado, tinha 10 anos e era o primeiro ano de iniciado . Nessa equipa havia muitos e bons jogadores que mais tarde iriam ser profissionais de futebol, como por exemplo: Zito, Paulo Sérgio, Raul Oliveira, Sérgio Camacho, Luís Miguel, Wilson - já falecido - ou o Joãozinho. De certeza que me vou esquecer de alguém. Todos bons jogadores e depois fui para o Sporting CP e as diferenças eram enormes.
Na Amora treinávamos onde podíamos e em Alvalade tínhamos quase tudo. As diferenças entre a formação do Sporting da altura e a de hoje, são muito grandes, nomeadamente a nível das infraestruturas e dos meios humanos ao nosso dispor. Eram outros tempos.
Foi uma felicidade poder ter sido treinado por homens como: Aurélio Pereira, Carlos Pereira, João Barnabé, Marinho, César Nascimento, Osvaldo Silva, Mister Carvalho; e ainda de ter jogado com: Luís Figo, Paulo Pilar, João Pinto, Paulo Torres, Abel Xavier, Chiquinho, Alexandre Nunes e muitos mais...Foram tempos de excelência e que me deixaram grato para o resto da vida.

- Como foi vir para o Seixal FC e logo depois voltar ao Amora FC? Na altura a rivalidade era enorme...
A rivalidade era grande mas era saudável e os derbies eram vividos de maneira intensa. Curiosamente o meu primeiro jogo como Sénior foi logo na abertura do campeonato da antiga segunda divisão e logo um derby Amora-Seixal que ficou 0-0. A mudança para a Amora foi por convite do Mister Jorge Jesus e fui sempre bem tratado e aceite pelos 2 clubes. A rivalidade era vivida de modo saudável.

- Qual a melhor recordação que tens do tempo que jogaste pelo Amora FC? E a pior?
Tantas recordações boas, como por exemplo: o ano da da subida à liga de Honra, o ser campeão da Zona Sul, o ser a defesa menos batida de todos os campeonatos e estarmos 927 minutos sem sofrer golos, a Medideira cheia, as gentes felizes com os nossos êxitos. Foram anos bons que ficaram para a vida. Os maus não existiram...não havia dinheiro, mas a rapaziada era feliz com pouco.

- Tens alguma história engraçada que se possa contar, que meta o Amora Fc ou o balneário?
Há muitas histórias, foram 3 épocas a partilhar balneário com grandes “cromos” , os maiores eram o Jorge Paixão e o Osmar Bueno. Tínhamos de estar sempre atentos, pois estavam sempre a armar ratoeiras...nessa altura o balneário estava cheio 2 horas antes do treino, porque a rapaziada ia para lá se divertir. O Mister Jesus contribuía, sem saber, para algumas das nossas histórias...aprendi muito nesses anos, mas muitas das histórias não as posso contar aqui.

- Os derbys com o Seixal eram sempre intensos. Como eram vividos os dias anteriores e até o jogo, seja na Medideira ou no Bravo? Como foi jogar no Seixal? Quais as maiores diferenças entre o Amora FC e o Seixal FC?
Como eu cresci, e vivi, até adulto na casa dos meus pais na Cruz de Pau, acabava por viver esses dias também pelo lado do adepto, com amigos e vizinhos a meterem sempre aquela pressão para ganharem, pois não queriam ser gozados pelos rivais. 
O Seixal era na altura um clube já sem muitos apoios financeiros e em queda, enquanto o Amora tentava voltar aos tempos da primeira divisão no princípio dos anos 80. Nos primeiros anos da década de 90 era um clube que tinha ideias e vitalidade. Depois vieram os tempos difíceis e todos os problemas que todos conhecemos, mas até então era um clube que dava alegrias aos sócios.

- Lembraste da tua melhor defesa? Como foi? E do teu melhor jogo? Ou o jogo que mais recordas com saudade?
As minhas lembranças são muitas. Fiz muitas defesas - também dei alguns frangos - mas recordo-me das tardes de Domingo na Medideira. Fui adepto enquanto criança e adolescente, e jogador enquanto adulto. Vibrei e sofri dos dois lados. Sabia o que era estar na bancada a torcer e isso ajudou-me a compreender as palmas e os assobios, porque eu já tinha sentido os mesmos. Naquele tempo a bancada enchia e a equipa sentia-se apoiada. Era muito difícil passar na Medideira.

- Como vês o Amora FC atualmente?
To-Sá e Vitor Pereira

O Amora FC Resistiu.
Foi uma pena acompanhar a queda do clube da minha terra, mas de facto foram tempos muito difíceis e os maus caminhos para onde o clube foi direcionado levaram a uma queda enorme e rápida.
Mas o Amora FC Resistiu!!! 
O Amora FC perdeu muita coisa,  mas nunca perdeu os seus adeptos e isso fez a diferença naquilo que é hoje o clube. Gentes da Amora, muitos deles meus colegas e amigos de escola, agarraram o clube e com seriedade e muito trabalho, reergueram o Amora FC e devolveram a dignidade que o clube e as gentes da Amora merecem. 
Espero que no futuro a linha que se seguiu até hoje continue a ser seguida e que o clube continue a crescer de forma sustentada e de forma a que nunca mais se veja em situações como as vividas anteriormente.

- O melhor jogador com quem jogaste? E o melhor treinador que tiveste?
Eu tive o privilégio de jogar com bons jogadores, inclusive um dos Melhores do Mundo, como foi o Luís Figo.
No Amora FC trabalhei com o Jorge Jesus, mas não era isso gostaria de realçar. 
No fim de tudo o que fica são as amizades, e no Amora fiz algumas para a vida. O Jorge Paixão foi meu ídolo em criança, meu colega como jogador, foi meu treinador (um dos melhores que tive) e depois fiz parte da equipa técnica dele como treinador de guarda-redes e isso foi proporcionado pelo Amora FC.
São amizades para a vida, como também o Tó-Sá, Quim-Zé, Sérgio Camacho, Osmar Bueno, Helinho, Hugo Varela, Rui Maside, Justino, Jorge Silva, Belchior...tantos e tantos. 
Na Amora vi jogar Caio Cambalhota, joguei com o Osmar Bueno, o Alfredo, o Manuel...mas o que mais gostava de ver era o Alberto Hernandez...um craque!!!

- O que faz o Vitor Pereira atualmente?
Quando deixei de jogar, em 2009, comecei a treinar guarda-redes. Já treinei em países como China, Qatar, Israel, treinei na liga NOS (nas equipas técnicas do Mister Lito Vidigal) e actualmente estou no Bordéus, em França, onde estou a coordenar o departamento de formação de guarda-redes da academia e treino a equipa B em cooperação com o meu colega da equipa principal e também ele ex-guarda-redes do Amora FC, o Paulo Grilo.

- Uma palavra para os Amorenses?
Um abraço a todos os que torcem pelo Amora FC, as gentes da Amora e a todos os meus amigos da terra que me viu nascer e onde cresci e me fiz Homem. 
Vamos embora Amora!!!

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

À conversa com ex-jogador: Osmar Bueno

Osmar Bueno!

O avançado rápido e goleador vestiu o Azul Amora no início dos anos 90 do século passado. Foi Ídolo da Torcida e será, para sempre, um dos nossos inesquecíveis.

Veja a pequena entrevista com o goleador amorense.

- Como foi a tua formação no futebol?
Eu era um Menino da Rua e não tive outra opção, senão ser jogador de futebol.

- Sempre sonhaste em marcar golos?
Nunca sonhei em marcar golos, mas sempre dei tudo de mim para fazer jus ao salário que me pagavam.

- Como vieste parar ao Amora FC?Fui parar ao Amora FC porque o Sr. Carlos Alberto Silva, que treinada o FC Porto, falou com o Jorge Jesus e disse-lhe que eu era um jogador de Primeira Divisão. Mal sabia ele que eu passava fome aqui no Brasil. 

- Qual a melhor recordação que tens do tempo que jogaste pelo Amora FC? E a pior?A minha maior lembrança enquanto estive no Amora FC foram as subidas de divisão. Já a pior recordação foi ter saído do Amora FC e ver a equipa toda vendida e o clube falido às mãos do Mário Rui. Eu, por confiar na direção, fiquei sem receber metade do valor que ganhei no Clube.

- Tens alguma história engraçada que se possa contar, que meta o Amora FC ou o balneário?Uma história engraçada vem numa situação com o Jorge Jesus e o seu "falar português". Numa situação dessas, o Jorge Jesus foi.nos chingar e em vez de nos chamar débeis mentais, disse "debeis mensais".

- Sentias que eras um grande ídolo da torcida?
Nunca fui um ídolo, mas amava a torcida amorense. Jogava sempre com muita vontade de retribuir o carinho que a torcida tinha por mim 

- O que tem a Medideira e o adeptos do Amora FC de diferente dos outros?
A diferença dos adeptos do Amora FC para os dos outros clubes, vem muito do carinho que têm pelos seus jogadores. O arrepio é muito grande. Lembro-me de uma ocasião em que estávamos a perder 4-0 e saimos para o intervalo debaixo de uma chuva de aplausos. Isto foi inesquecível para mim.

- Lembraste do teu melhor golo? Como foi? E do teu melhor jogo? Ou o jogo que mais recordas com 
saudade? Omeu melhor golo foi ter assinado pelo Amora FC. Já o meu melhor jogo foi em Penafiel, num jogo que no final até descemos de divisão. Fui expulso do balneário pelo Mário Rui e na segunda-feira ele ligou-me a pedir desculpa e a recontratar-me para que na época seguinte ajudasse o Amora FC a subir de divisão.

- O melhor jogador com quem jogaste? E o melhor treinador que tiveste?Nunca tive um melhor jogador, já que uma equipa vive pelo conjunto. Sobre o treinador, é óbvio ser o Jorge Jesus que trabalhou muito para chegar onde está hoje.

- O que faz o Osmar atualmente?Atualmente, estou a descansar à sobre da Bananeira, tal como profetizava Jorge Jesus. Comprei um quinta e estou a viver desse arrendamento.

- Uma palavra para os Amorenses?Obrigado por todo o carinho. Amo vocês todos!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

À conversa com ex-jogador: Paulo Martins

Paulo Martins e Amora FC. Estes dois nomes conjugados representam Raça, Ambição e Categoria. O defesa formado entre o Vitória de Setúbal e o Amora FC é o próximo entrevistado na nossa rubrica.

- Fizeste parte da formação no Amora FC. Como era a formação do Amora e qual o sentimento de subir a sénior?
Paulo Martins
Quando cheguei aos juniores do Amora FC, o clube estava no Campeonato Nacional de Juniores e ainda na Segunda Liga em Seniores. Nos juniores, fui recebido como nunca esperei. O prazer em fazer parte desse grupo foi enorme, onde fiz grandes amigos e conquistamos feitos que ficaram para história do clube, pois nesses 2 anos conseguimos sempre a manutenção. Nessa altura, aprendi a sentir a camisola e esses jogadores conseguiram implantar uma mistica e ser um exemplo para a formação. Relativamente à subida aos seniores, lembro-me de nem dormir e de estar a engraxar as botas à noite na véspera do treino. Sabia que não podia facilitar e tinha de ter a humildade de saber respeitar e trabalhar no máximo para fazer parte do plantel senior.

- Qual a melhor recordação que tens do tempo que jogaste pelo Amora FC? E a pior?A melhor recordação foi a subida de divisão e os amigos que tive o prazer de fazer e que hoje muitos estão nos veteranos do Amora FC.

- Tens alguma história engraçada que se possa contar, que meta o Amora FC ou o balneário?
Uma história que me recordo bem, foi quando fomos jogar para a Taça de Portugal a Beja. Começamos a perder o jogo e conseguimos empatar. A partida estava a ser muito difícil, quando já no final do jogo há um jogador do Amora FC no relvado e os jogadores do Beja atiraram a bola para fora. Eu fui fazer o lançamento de linha lateral e o Pedro Miguel, que era o nosso ponta de lança, pede a bola e eu fiz-lhe o passe. Até aí tudo bem, não fosse o Pedro pegar na bola e fazer golo. Deu uma confusão dos diabos e as palavras do Pedro para os jogadores do Beja foram as seguintes: Vocês estão a reclamar do quê? Não estou a perceber...então a bola não segue vossa?
Paulo Martins a disputar um lance nas alturas

- Os derbys com o Seixal eram sempre intensos. Como eram vividos os dias anteriores e até o jogo, seja na Medideira ou no Bravo?
Os derbys são sempre derbys. Na semana anterior é aquela onde se sente que o envolvimento das pessoas é diferente, sobretudo porque sabes que tens de dar tudo. Aquilo que tens e o que não tens.

- Como foi jogar no Seixal? Quais as maiores diferenças entre o Amora FC e o Seixal FC?
A minha ida para o Seixal acontece quando venho da Ilha da Madeira. As diferenças na altura eram muitas, com o Seixal bem financeiramente e onde não faltava nada. Já o Amora FC enfrentava uma grande crise financeira, mas eu era profissional e tinha de ser eu próprio e ter o mesmo caráter de sempre.

- O que tem a Medideira e o adeptos do Amora FC de diferente dos outros?Jogar na Medideira com aquela bancada cheia é de arrepiar. Ver como aquela gente sente o clube, é muito bom para quem joga em casa.

- Lembraste do teu melhor golo? Como foi? E do teu melhor jogo? Ou o jogo que mais recordas com saudade?
Jogos especiais, lembro-me de um no complementar de juniores onde faço o golo no último minuto. Também me lembro bem do jogo da permanência em Évora frente ao Lusitano e em Belém frente ao Olivais e Moscavide.
Em seniores, lembro-me do jogo da subida frente ao Montijo e ainda o jogo para a Taça de Portugal, em casa frente ao Feirense em que perdemos 0-1.

Paulo Martins e outros juniores que
subiram à equipa senior do Amora FC
- Como vês o Amora FC atualmente? Costumas ir à Medideira? Como estou ligado aos Veteranos do Amora FC, de vez em quanto vou à Medideira. Acho que o clube está no caminho certo, pois em termos organizacionais parece-me um clube bem estruturado.

- Como achas que será o futuro do Amora FC? O clube esta a criar infra-estruturas físicas, para daqui a alguns anos, conseguir atacar outros sonhos, o que me parece o mais correto.

- O melhor jogador com quem jogaste? E o melhor treinador que tiveste?
O melhor jogador com quem joguei foi o Velli Kasumov, jogador internacional do Azerbaijão, que jogou no Vitória de Setúbal. Tinha uma qualidade técnica e táctica acima da média.
Em termos de treinadores todos me marcaram e são um exemplo para mim. Mas o professor José Moniz foi o que mais me impressionou, sobretudo devido à sua experiência e a cultura táctica.

- O que faz o Paulo Martins atualmente?Hoje sou professor de educação física, tenho uma empresa de compra e venda de imóveis e sou treinador de futebol.

- Uma palavra para os Amorenses?Aos Amorenses, a minha palavra de gratidão pelo apoio dado naquela altura e que continuem a apoiar o clube, porque os sócios e simpatizantes são a base do clube. Força AMORA!

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

À conversa com ex-jogador: Chiquinho

Francisco José Varela Grilo. O nome não diz grande coisa à maior parte dos Amorense, mas se resumirmos o nome para Chiquinho, aí os olhos brilham..e enchem de recordações os sócios e adeptos do Maior Clube da Margem Sul.

Nesta pequena conversa, vamos abordar alguns temas da carreira do avançado rápido, que tinha no seu pé esquerdo o seu maior talento.

O festejo, após mais um golo
com as cores do Amora FC
Representaste o Amora FC desde as camadas jovens até algumas épocas como sénior. Como era a formação do Amora e qual o sentimento de subir a sénior?
Fiz praticamente toda a formação no Amora FC, excepto no 1º ano de juvenil, quando me transferi para o FC Porto.
Comecei com 10 anos e fui campeão distrital infantil contra o Vitória Setúbal no estádio D. Manuel Melo onde vencemos por 3-2.
Também fui campeão distrital em iniciado, contra o Vitória de Setúbal. Além disso, também ganhei o titulo distrital em juvenis, mas perdemos na secretaria. Na altura o Barreirense tinha muito força na Associação de Futebol de Setúbal.
Em termos de formação o Amora FC, em tempos, trabalhava muito bem. Por esse motivo tivemos muitos miúdos a irem para o Benfica e também para o Sporting. E eu fui para o Porto.
Fiz 5 épocas como sénior na equipa do Amora FC, duas das quais sendo ainda júnior. Foi uma alegria muito grande ter representado o Amora FC em sénior. O Amora FC é o clube do meu coração. 

Qual a melhor recordação que tens do tempo que jogaste pelo Amora FC? E a pior?
Tenho duas grandes recordações: a subida de divisão e ter jogado no antigo Estádio da Luz para a Taça de Portugal. Nesse jogo contra o Benfica, na primeira parte ainda conseguimos aguentar...mas na segunda fisicamente começaram a faltar pernas.
Relativamente ao pior momento de azul vestido, foi a forma como sai do Amora FC. Na altura não me mandaram embora, mas abriram a porta. Tinha tudo acertado com o presidente Manuel Gonçalves, mas entretanto chegou o José Mendes e não me quis pagar o que tinha sido acordado (120 contos para 100 contos). Por isso eu dizer que não me mandaram embora, mas sim abriram-me a porta da saída. Fui jogar para o Sesimbra, após a minha saída.
Chiqinho, ao centro e em baixo,
com a camisola do FC Porto vestida
Como foi jogar no FC Porto, na altura em idade de juvenil? Como surgiu essa oportunidade? 
Foi o realizar de um sonho de menino, já que eu sou portista. Nem sequer hesitei em assinar pelo FC Porto, mas nem tudo correu bem. A adaptação não foi fácil, já que estava a 300km de casa e sem o apoio dos meus pais. As coisas não são como hoje, onde pegamos no telemóvel  e estamos em contacto diário. Ainda assim, acabei por fazer uma época razoável e fazendo alguns golos.
Ainda regressei no ano seguinte, mas rapidamente me apercebi que não ia ser primeira opção. Falei com mister e com o chefe departamento de Futebol, o senhor Raúl Peixoto, e manifestei a minha vontade de sair e regressar a casa.

A oportunidade surgiu no segundo ano de iniciado, onde fiz um ano espetacular com mais de 100 golos marcados. Na altura apareceu o Benfica (por Peres Bandeira) e o Sporting (por Aurélio Pereira), mas foi no torneio inter associações que apareceu o FC Porto, onde me ofereceram 75 contos por mês (na época 93/94), o que era muito dinheiro na altura. Não pensei duas vezes e aceitei logo, com os meus pais sempre a apoiar. Ele fizeram-me a vontade e deixaram-me viver o meu sonho.

Que recordações tens do Porto? 
O que eu recordo mais daquela altura é mesmo a rapaziada que vivia lá no lar dos jogadores, onde havia uma boa camaradagem. Ainda mantenho o contacto com alguns

Chiquinho no Estádio da Luz,
para a Taça de Portugal
Porque voltaste ao Amora? 
Isso foi a condição imposta pelo FC Porto. Eles só me davam a carta se fosse para o Amora FC e eu aceitei pois eu vinha cheio de vontade de voltar a ser feliz a fazer aquilo que mais gostava jogar futebol.

Tens alguma história engraçada que se possa contar, que meta o Amora FC ou o balneário?
História tenho uma comigo próprio. Fomos jogar a Évora e eu estava no banco e entrei a 20 minutos do fim e marquei o golo da vitória. Na semana seguinte, jogávamos em casa e o mister Rodrigues Dias começa a dar equipa e eu fui o décimo sétimo jogador. Fiquei de fora e o mister dizia "miúdo, tens de esperar" e eu com uma azia desgraçada.

Os derbys com o Seixal eram sempre intensos. Como eram vividos os dias anteriores e até o jogo, seja na Medideira ou no Bravo?
Uma rivalidade muito grande, sempre com jogos rasgadinhos. Tenho saudades desses derbies, onde andava a semana toda a contar os dias para o jogo. 

O que tem a Medideira e o adeptos do Amora FC de diferente dos outros?
São adeptos especiais! Apoiam bastante a equipa mas também quando têm que rasgar e criticar também criticam e rasgam.

Chiquinho, a faturar mais um
Lembraste do teu melhor golo? Como foi? E do teu melhor jogo? Ou o jogo que mais recordas com saudade?
Fiz muitos golos durante a minha carreira, mas jogos tenho alguns especiais. Vou só dizer dois: um em infantil contra o Vitória de Setúbal onde fomos campeões distritais (fiz dois golos e ganhamos 3-2); e em sénior na inauguração do relvado do Castrense, onde entrei a 15 minutos do fim com a equipa a perder 1-0 e ganhamos 1-2, com 2 golos meus.

Como vês o Amora FC atualmente? Costumas ir à Medideira? 
Vou sempre ao Estádio da Medideira ver os jogos. Sou sócio e costumo estar sempre presente. O Amora FC está bem, embora os jogos não estarem a correr bem. Mas isto não é como começa mas sim como acaba.

Como achas que será o futuro do Amora FC? 
Penso que o futuro do Amora FC vai ser risonho, sobretudo tendo as contas consolidadas e com formação a crescer. Tem tudo para dar certo.

Chiquinho a receber a medalha de
campeão distrital de iniciado época 92/93
O melhor jogador com quem jogaste?
O Pedro Miguel. Era craque e jogou no Braga, Leiria ou Sporting. Já o apanhei numa fase descendente carreira mas era muito craque.

O melhor treinador que te treinou? Porquê?
Forçosamente, tenho de destacar três treinadores que me marcaram: o meu meu primeiro treinador, chamado João Mendes, onde ganhei o meu primeiro título; o segundo, o mister Mota, que me levou para os seniores sendo eu ainda júnior de primeiro ano; e por fim Professor Moniz, onde os treinos eram duríssimos, mas chegávamos ao domingo soltinhos. Ele virava-se para mim e dizia-me "miúdo, tu comigo jogas sempre seja de início ou a entrar, tens de estar sempre preparado". Foi com ele aquele jogo épico em Castro Verde, antes de entrar ele só me disse miúdo vai lá para dentro e resolve.

O que faz o Chiquinho atualmente?
Sou Distribuidor de Gás.

Uma palavra para os Amorenses?
Vamos apoiar o nosso Amora FC.



sábado, 21 de setembro de 2019

À conversa com ex-jogador: Alex

Iniciamos hoje uma nova rubrica, onde pretendemos trazer alguns ex-jogadores do Amora FC à conversa. Não será uma conversa de vida, mas pode tornar-se uma conversa que irá trazer muitos bons momentos aos entrevistas e a quem nos lê.

O primeiro é o Alex, que envergou a camisola 10 do Amora FC quase ao longo de uma década. Atualmente com 45, Alex aceitou o nosso desafio.
Alex num Seixal-Amora FC, onde o o Amora FC
ganhou 3-2 (golos de Santiago (2x) e Malá).

Representaste o Amora FC cerca de 10 anos, tendo começado nos juniores, embora com diversas paragens pelo meio. O que te fez voltar sempre ao Amora FC? 

Na realidade, iniciei a minha ligação ao Amora FC em 87/88 na minha segunda época de infantil. Isso coincidiu com a minha vinda para a Amora, e para uma nova escola. No entanto, chumbei e a minha velhota tirou-me do futebol. Voltei em juvenil, fiz a segunda época e fiz a 2 épocas de juniores. Subi a sénior e nessa época saiu o Jorge Jesus e entrou o Fernando Festas que não conhecia as camadas jovens e acabei por ir embora. No entanto, essa saída não foi má de todo, já que comecei a jogar futsal e em dois anos fui Internacional e ganhei uma Taça de Portugal. Voltei depois ao Amora FC, quando estava na terceira divisão e na altura foi um pouco difícil, já que passei de Internacional a suplente. Mas a equipa mudou de treinador e comecei a ser sempre titular. O Amora FC sempre foi o melhor clube da região, morava na Amora (ainda moro), estudava na Amora e o Amora FC é o meu clube do coração! 

Qual a melhor recordação que tens do tempo que jogaste pelo Amora FC? E a pior?
Tenho boas recordações de várias época, mas aquelas 2/3 épocas na Segunda Divisão em que recebíamos a horas e fizemos bons campeonatos são das melhores.

Relativamente ao pior, sem dúvida que foi o meu afastamento do clube. Não por mim, porque me afastaram. Lembro-me que voltei com 35 anos pra terminar a carreira no meu clube. Fiz uma época com o Nuno Correia a treinador e no ano seguinte começou o Paulo que vinha dos juniores coadjuvado pelo Sérgio e por mim. Eu fazia a ligação com os jogadores. Era jogador, capitão e treinador adjunto. Fiz a planificação da época, desde os equipamentos para treino e jogo e as contratações. Foram 12 os jogadores que entraram, e ainda consegui baixar o orçamento para metade. Na altura fui buscar o Balela, que se tornou capitão e referência no Amora FC (o Arrentela tinha descido de divisão).
O Mendes era o presidente na altura, e era preciso muito estofo pra lidar com ele, mas ele sabia que eu queria passar a outra etapa da minha vida. No entanto, disseram que era mais útil como jogador e eu acedi. A época até começou bem, mas depois os resultados não apareciam. E uma vez em Almada, eu estava lesionado e do lado de fora, perdemos o jogo e o Paulo meteu o lugar a disposição. Eu mesmo sem ele me ter dito nada, entro no balneário e vejo ele a despedir-se e senti-me na obrigação, como capitão, de dizer que o treinador tentou de tudo mas os resultados não apareceram. O Mendes pensou que eu estava a fazer papel duplo, pois ele sabia que eu queria ser treinador. Como é possível, depois do trabalho todo, de marcar cantos, livres e penaltys e de ser o melhor marcador da equipa ele pensar isso. Tive de sair e foi uma ferida de morte.
Como se não tivesse chegado, eu tinha levado duas pessoas para nos ajudarem: o Hélder e o Pedro Amora. Na altura o Hélder saiu comigo e o Pedro Amora ficou como director desportivo, e chegou a ser treinador também.

Hoje em dia está ultrapassado, mas foi uma marca muito forte!

Alex a receber a medalha da subida à Segunda Divisão.
Tens alguma história engraçada que se possa contar, que meta o Amora Fc ou o balneário? 
Uma das melhores foi numa subida de divisão em q fomos festejar a uma casa noturna e chegou o Reinaldo Teles  e mais um diretor do FC Porto. Era um domingo à noite e o FC Porto jogava segunda-feira com o Estrela de Amadora. Entretanto tínhamos um colega, Ronaldo "Picanha", em que o primeiro empresário dele em Portugal tinha sido o Reinaldo Teles. E de repente estou com o bilhete de identidade do Reinaldo Teles na mão, para comprovar que era o próprio. Ele sentou-se à mesa, falou um pouco e no fim deixou uma garrafa de whisky pra nós...foi giro!

O que tem a Medideira e o adeptos do Amora FC de diferente dos outros? 
Eu posso estar sem ir à Medideira, mas a atmosfera dos adeptos é a mesma...sente-se muito bem! E agora que se está a trabalhar bem, os adeptos correspondem mais. O Amora FC está no bom caminho e penso q vai crescer. As pessoas que estão a dirigir gostam do clube e isso é importante.

Alex no Seixal FC - Amora FC,
que os azuis ganharam 3-2
Mas não posso deixar de dizer a minha opinião, e vou aproveitar esta situação, para dizer que na minha opinião, o Amora FC planificou mal a época. Ficando em 6º lugar era manter o plantel e reforçar-se com 4/5jogadores e atacar o objetivo que penso que seja a subida de divisão
Isso não aconteceu e agora já vi o que provavelmente vai acontecer: na abertura do mercado, vão sair e entrar jogadores. E o dinheiro que não se quis gastar pra manter o plantel do ano passado vai-se gastar nessa altura com a entrada de jogadores.
Aliás, este novo avançado (Muacir) , não veio a dois tostões. Mas penso que isto faz parte da aprendizagem ao longo da vida. O Benfica há 2 anos cometeu o erro de vender o Mitroglou e perdeu o campeonato. Penso que o Amora FC está no caminho certo e a mim alegra-me ver que vai jogar fora e levam uma multidão atrás. Paga as suas contas a tempo e horas e está a construir um novo estádio.

Lembraste do teu melhor golo? Como foi? E do teu melhor jogo? 
O meu melhor golo foi, talvez, um que marquei num jogo na Medideira frente ao Lusitânia dos Açores. Na altura estávamos com quatro meses de salários em atraso (mais uma vez...) e havia aquele jogo da mala entre os clubes que davam dinheiro a outros para evitar a descida de divisão.
Nesse jogo uma equipa do Algarve dava-nos 2.500 euros e uma dos Açores davam 2.000 euros para ganharmos o jogo.

Fizemos 1-0 na primeira parte, mas antes do intervalo eles empataram. Quando faltavam 20m para o fim, recebo uma bola da linha de fundo na zona do bico de área, senti um adversário, ameacei e deixei a bola rolar para o pé esquerdo e dei-lhe uma "banana" de pé esquerdo ao ângulo contrário. Depois lá me lembrei do dinheiro e no fim dividimos o dinheiro no balneário por todos e até o falecido Felipe (roupeiro) recebeu.

Tive alguns bons jogos. Lembro-me de um que até perdemos. Nesse jogo marquei um golo, dei outro e ainda falhei um penalty. Jogámos com 10 desde da primeira parte - parecia o filme Fuga para a Vitória - e no fim do jogo um ex-colega meu do Olhanense disse-me que eles iam ligar...e ligaram mesmo.

O melhor jogador com quem jogaste? 
O melhor jogador com quem joguei era guarda-redes: o Carlos Fernandes. Ele até foi internacional angolano. Ele fazia coisas do outro mundo. Ele saía muito à noite, mas chegava e era tudo dele, e ainda tinha o bónus de jogar muito com os pés. Até lhe chamávamos de Futre.

A equipa do Seixal FC - Amora FC (2-3)
Tiveste convites para jogar no Seixal FC?Tive uma vez um convite, na altura em que o Paiva era o capitão do Seixal FC. Estava de férias e encontrámo-nos na praia com as famílias, e ele disse-me que na altura me queriam no Seixal FC.

O que faz o Alex atualmente? Já trabalhei em telecomunicações (fibra ótica). Actualmente sou fiel de armazém.

Uma palavra para os Amorenses?
O que posso dizer aos adeptos e à Massa Associativa do Amora FC é o seguinte: Que acreditem sempre no trabalho que se está a fazer. Sempre. Independentemente dos resultados da equipa sénior.

Quero muito ver crescer o Amora FC, mas não gostava que se perdesse o sentimento porque por vezes ou quase sempre, esta profissionalização pode passar a ser um negócio e isso não tem nada a ver com o Amora FC.

Demissão da Direção do Amora FC

Vamos la contar o tempo que a direção atual do Amora FC vai demorar a demitir-se. Façam as vossas apostas... Countup